Descubra como a nova geração transforma a sucessão em estratégia, priorizando ESG, governança e tecnologia na maior transferência de riqueza da história.
Nas próximas décadas, o mundo testemunhará a maior transferência de riqueza da história moderna. Segundo o relatório Global Next Generation Report do UBS, estima-se que US$ 83 trilhões mudem de mãos. No entanto, o perfil de quem recebe esse patrimônio mudou: o jovem herdeiro atual não busca apenas o capital, mas a responsabilidade de perpetuar um legado com impacto social e eficiência estratégica.
De tabu à decisão estratégica
Para as gerações anteriores, a sucessão era frequentemente um tema evitado, associado diretamente ao luto. Na América Latina, 60% dos herdeiros ainda encaram o assunto dessa forma. Contudo, essa percepção está evoluindo. A tendência atual é tratar a transferência de bens como um processo de governança que deve começar muito antes da entrega dos ativos financeiros.
As novas prioridades dos herdeiros
Diferente dos seus antecessores, focados na sobrevivência do negócio em mercados instáveis, a nova geração direciona seu olhar para questões estruturais e globais. Entre os temas de maior interesse, destacam-se:
- Tecnologia e Inteligência Artificial: Preocupação central para 62% dos entrevistados.
- Desigualdade Social e Educação: Foco em criar um futuro mais equitativo.
- Investimento com Propósito (ESG): Cerca de 37% buscam alocar capital em investimentos que gerem impacto positivo mensurável.
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O papel fundamental da governança familiar
A falta de comunicação ainda é o maior entrave, apontada por 33% daqueles que enfrentaram tensões no processo. Menos de 25% das famílias possuem protocolos formais ou fóruns de discussão. Especialistas do UBS reforçam que famílias que adotam estruturas de governança clara têm 74% mais chances de já terem iniciado a transição de forma bem-sucedida.
Por que a nova geração prefere ouvir seus pares?
Cerca de 27% dos herdeiros buscam aconselhamento com pessoas da mesma idade e posição social, superando o uso de consultores tradicionais. Isso ocorre pela busca de identificação e troca de experiências reais.
Como os novos herdeiros lidam com o risco?
Eles são mais seletivos. Evitam ativos voláteis que não compreendem, como criptomoedas (apenas 11% investem), preferindo riscos mensuráveis e investimentos tradicionais que sigam critérios de sustentabilidade.
Quando deve começar o planejamento sucessório?
O ideal é que as conversas comecem na infância ou adolescência. Mais da metade dos herdeiros (56%) gostaria que o tema tivesse sido introduzido mais cedo em casa.
Com informações da Forbes– Por Ana Paula Branco Alves
